
Publicidade à parte, a Mimi é um amor. É uma gata adulta e com todos os motivos possíveis para ser um animal traumatizado. Se a história da Tulipa tem traços cinematográficos, a da Mimi tem tudo para ser um best-seller.
Gatinha bebé, ela foi adoptada por um homem solitário, que precisava de companhia. Um dia o homem chegou a casa, embriagado, e atirou a Mimi contra uma parede. Em seguida, pô-la no lixo. Alguém soube do sucedido e, antes da recolha do lixo, uma senhora foi buscá-la e tratou-a. A Mimi recuperou bem mas cresceu e, como as pessoas conseguem ser muito estranhas às vezes, os novos donos decidiram prendê-la com uma corda, junto do cão. Um dia, mudaram de casa e deixaram a Mimi e o cão presos, sem água nem comida. Uma outra vizinha decidiu alimentar os cães e soltou a gata, que vagueou por todos os quintais até encontrar um gato simpático que partilhou com ela a sua comida (o gato da minha avó, por acaso…). A amizade deu em namoro e, como os gatos são apressados, o namoro deu em gravidez e a Mimi teve 4 lindos bebés. A intenção não é fazer um drama piedoso nem levar-te às lágrimas, caro leitor, mas a história da Mimi é triste e merece um final feliz. Por isso, vamos contar-te tudo. A Mimi teve apenas 1 dia para cuidar os seus bebés, a sua primeira ninhada. O resto deves imaginar…
Bem, como disse, os gatos são apressados. E, depois da gravidez, o namoro já deu em separação: litigiosa! A Mimi é um amor de gato, garanto, mas há certos machos que lhe fazem subir a mostarda ao nariz…
Conclusão: a Mimi é uma gata linda e desimpedida, saudável, nada exigente com a comida e muuuuuito doce. Adora estar ao colo (e esconder o focinho!) e é uma óptima companhia. Neste momento está a dormir ao frio, sem o mínimo conforto e sem uma alimentação adequada. Caro leitor, a Mimi precisa mesmo de um bom dono. É o mínimo que lhe podemos dar para recompensá-la por tanto sacrifício. Os gatos falam, pois. E às vezes, por mais que tentem disfarçar, dizem coisas muito tristes. Gostava de mudar a história da Mimi. Ela é valente, mas às vezes chora às escondidas…


